RESULTADO DA TRILHA CULTURAL MARÇO – 2022

ALUNO: DAVI PETRUS RIBEIRO DOURADO DE SOUSA – 6º ANO B
PROFESSORA: NEUCIRLETE

BIOGRAFIA
A personalidade nortista que escolhi para a minha biografia foi o
acreano Francisco Alves Mendes Filho, conhecido nacional e
internacionalmente como Chico Mendes, um sindicalista reconhecido por sua
luta pelo meio ambiente e direito da população nativa da Amazônia à posse de
suas terras.
Chico nasceu dia 15 de dezembro de 1944 na Cidade de Xapuri no
Estado do Acre, filho de Maria Rita Mendes e do seringueiro Francisco Alves
Mendes. Não havia escola em sua comunidade, por isso, durante toda a
infância e adolescência ele acompanhava o pai no trabalho dos seringais,
retirando a seiva das árvores para a produção de borracha, e presenciava o
desmatamento na região. Foi somente aos 19 anos de idade que Chico
Mendes conseguiu aprender a ler e a escrever com a ajuda do militante
comunista Euclides Távora, que participou do Levante Comunista de 1935 em
Fortaleza, e da Revolução de 1952, na Bolívia.
Na época de sua morte estava casado com Ilzamar Mendes, com
quem teve dois filhos, Sandino e Elenira. Além disso, possuía outra filha do
primeiro casamento, Ângela.
Aos 35 anos de idade começou a atuar como sindicalista no ano de

  1. Um ano depois criou o “Empates”, uma forma de incentivar moradores a
    lutar de forma pacífica para impedir com barreiras humanas o acesso de
    serralheiros e fazendeiros nas florestas, para proteger áreas ameaçadas de
    destruição. Em 1977 decidiu entrar para a política, sendo eleito vereador pelo
    Movimento Democrático Brasileiro (MDB). A sua ação em defesa da causa
    ambiental não agradou os latifundiários, e por essa razão começou a receber
    nesse período as primeiras ameaças de morte.
    Em 1981 se tornou presidente do Sindicato dos Trabalhadores da
    sua cidade natal, Xapuri, e tentou dar um passo maior na política se
    candidatando para o cargo de deputado federal pelo Partido dos Trabalhadores
    (PT), mas não conseguiu votos suficientes para se eleger.
    Isso não o limitou. Ele ganhou forças se reunindo com seringueiros
    que dependiam das florestas preservadas para continuarem extraindo
    gratuitamente o látex. Por essa influência, em 1984 foi levado ao Tribunal
    Militar de Manaus como réu, acusado de incitar esses posseiros a praticar
    violência, mas foi inocentado das acusações.
    Um ano depois dirigiu o primeiro Encontro Nacional de Seringueiros,
    e lá proporcionou a “União dos povos da Floresta”, um documento que
    demandava esforços à união das forças dos índios e etc.
    REPERCUSSÃO INTERNACIONAL
    Chico Mendes denunciou o massacre sofrido pelos povos indígenas,
    quando criou o Conselho Nacional dos Seringueiros. Nessa luta, ele atravessou
    as fronteiras e atingiu repercussão não só nacional, mas internacional. No ano
    de 1987 enunciou um discurso na reunião do Banco Interamericano de
    Desenvolvimento (BID), na Cidade de Miami nos Estados Unidos da América.
    Também em 1987, na cidade de Xapuri, recebeu uma comissão da
    Organização das Nações Unidas (ONU), que viu tanto a destruição da floresta
    como a expulsão dos seringueiros. Como esperado, foi aceita suspensão do
    financiamento de uma rodovia federal, a BR – 364, e o Banco Interamericano
    de Desenvolvimento requereu do Governo Brasileiro o estudo do impacto
    ambiental na região. Ele também foi convidado a falar no Senado Americano,
    onde fez recomendações a muitos bancos que forneciam dinheiro para projetos
    na região. Naquele ano, recebeu da ONU o Prêmio Global 500 de Preservação
    Ambiental.
    AMEAÇAS E MORTE
    Ao longo de sua caminhada como sindicalista, ativista ambiental,
    político e outras ocupações, foi ameaçado várias vezes de morte. Em certo
    momento precisou de escolta policial para manter sua segurança.
    No ano de 1988, foi criada em seu estado, a UDR (União
    Democrática Ruralista). Nesse mesmo ano participou da fundação da primeira
    reserva extrativista do Acre, o que ocorreu após a desapropriação das terras de
    Darly Alves da Silva, que constantemente o ameaçava de morte.
    Chico Mendes morreu dia 22 de dezembro de 1988, no quintal de
    sua casa, onde tomava banho em um banheiro externo. Ele morreu a tiros que
    foram disparados por Darci Alves, cumprindo ordens de seu pai, Darly Alves,
    que o ameaçava constantemente. A arma do crime foi uma escopeta e a única
    testemunha do crime foi Genésio Ferreira da Silva, um menino de 13 anos, que
    trabalhava na fazenda dos autores do assassinato.
    LEGADO
    Sua morte não barrou a causa pela qual ele lutava. Deixou um
    legado importante para o Brasil e para o mundo, lutando por uma reforma
    agraria que proporcionasse aos extrativistas e seringueiros uma renda
    adquirida sem custar o desmatamento da floresta, resultando no uso
    sustentável dos recursos.
    No Ano de 1985, foi criado o Conselho Nacional dos Seringueiros
    (CNS), contando com a colaboração de mais de 100 seringueiros, que sugeria
    a fundação das reservas extrativistas. A primeira foi fundada a 80 quilômetros
    da cidade de Rio Branco-AC, com 40 mil hectares.
    A morte de Chico Mendes realçou a urgência de reflorestamento, o
    que aumentou o percentual de preservação da Amazônia e o final de brigas por
    terras. Baseados na pressão Internacional, foi fundada a Reserva Extrativista
    Chico Mendes (Resex) no ano de 1990, que se tornou referência para o
    mundo. Ao todo a Resex tem cerca de 970 mil quilômetros de floresta, e quase
    1 milhão de hectares, alcançando as cidades de Assis Brasil, Brasileia,
    Capixaba, Epitaciolândia, Sena Madureira, Xapuri e a Cidade de Rio – Branco.
    Ainda hoje existem reservas que sofrem com o devastamento, para
    criação de gado, animal considerado mais rentável comparado a outros cultivos
    de produtos naturais. Entretanto, lugares como a Resex permitem que a maior
    porcentagem da floresta seja salva e garante a proteção a produtores locais e
    aos povos indígenas.
    RECONHECIMENTOS E HOMENAGENS
    Chico Mendes foi referência na luta pela preservação do meio
    ambiente e ganhou as manchetes de diversos jornais internacionais, levando
    jornalistas a acompanharam de perto a rotina dos seringais de Xapuri, para
    conhecerem melhor sua história.
    Além de ganhar o Prêmio Global 500 de Preservação do Meio
    Ambiente da ONU, na Inglaterra, ganhou também a Medalha de Meio Ambiente
    da Better World Society, nos Estados Unidos. Depois de sua morte, foram
    criados vários prêmios, parques, institutos e memoriais para divulgar sua
    história e homenagear o maior líder seringueiro que já existiu no Brasil.

Instituto Chico Mendes De Conservação Da Biodiversidade (ICMbio)
O Instituto que leva seu nome é uma autarquia especial vinculada ao
Ministério do Meio Ambiente e integra o Sistema Nacional do Meio Ambiente
(Sisnama), criada no dia 28 de agosto de 2007, pela Lei 11.516.
De acordo com o histórico divulgado no site do Governo Federal, o
Instituto executa as ações do Sistema Nacional de Unidades de Conservação,
e pode propor, implantar, gerir, proteger, fiscalizar e monitorar as Unidades de
Conservação (UCs) instituídas pela União, e ainda fomentar e executar
programas de pesquisa, proteção, preservação e conservação da
biodiversidade e exercer o poder de polícia ambiental para a proteção das UCs
federais.

Parque Chico Mendes
Criado no ano de 1989 na cidade do Rio de Janeiro, o Parque
Natural Municipal Chico Mendes é uma reserva ambiental, fundada para a
preservação da área da Lagoinha das Tachas e seus arredores, no Recreio
dos Bandeirantes. No parque existem alagados e restingas, fauna e flora
originais, e espécies ameaçadas de extinção, como o jacaré de papo amarelo.

Memorial Chico Mendes
Fundado no ano de 1996 na cidade de Manaus – AM, tem o objetivo
de preservar e divulgar a história de Chico Mendes, além de prestar apoio a
comunidades que praticam agroextrativismo. É uma instituição sem fins
lucrativos que exerce influência sobre as políticas públicas regionais e
nacionais.

Prêmio Chico Mendes
Uma iniciativa do Ministério do Meio Ambiente, fundado em 2002,
tem como objetivo valorizar e incentivar iniciativas de proteção ao meio
ambiente e promoção de desenvolvimento sustentável da região amazônica.
CHICO MENDES NO CINEMA
Toda a sua história e legado resultaram em diversos filmes,
programas especiais e documentários. Uma das maiores obras, com alcance
internacional, foi “Chico Mendes: eu quero viver” gravado em 1987, de autoria
do cineasta Adrian Cowell, entre outros documentários produzidos, como:
• A história de Chico Mendes;
• Chico Mendes – o preço da floresta (2010);
• Chico Mendes – a voz da Amazônia (1989);
• The burning season: the Chico Mendes story (1994)
• Genésio – um pássaro sem rumo: a única testemunha do assassinato de
Chico Mendes.

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